quarta-feira, 8 de junho de 2011

FREUD: A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL PARA A COMPREENSÃO DA SEXUALIDADE HUMANA


ROMAGNANI, Alessandra
FAIAM, Francielly M.
LEITE, Joiseleide Aparecida.
Acadêmicas da Faculdade de Ensino Superior Dom Bosco
Membros do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação e Sexualidade  - GEPES
Bolsistas GEPES – PET – MEC – FDB
BONFIM, Cláudia
Coordenadora  do GEPES


Resumo: O presente estudo de caráter qualitativo-bibliográfico, fundamentado especialmente em Freud, Nunes, entre outros, tem por objetivo destacar a importância  das teorias de Freud, para a compreensão do desenvolvimento da sexualidade humana. Considerando a influência das transformações sociais e o pluralismo cultural. Partindo da premissa que a sexualidade é parte inerente ao ser humano Considera-se que, o entendimento da Teoria do desenvolvimento psicossexual, possibilitará ao docente e a todas as pessoas, conhecimento para agir de forma ponderada, racionalizada, natural e não repressiva, diante de situações cotidianas da sexualidade no universo infantil. Contribuindo assim, para o futuro de adultos que desfrutem  de uma sexualidade saudável, humanizada, afetiva, enfim, com uma melhor qualidade de vida.  

Palavras-chave: Freud; desenvolvimento psicossexual; sexualidade humana.

1 Introdução

            Sigmund Freud contribuiu para a ciência com a psicanálise, área do conhecimento que estuda o inconsciente humano. Ele foi audacioso  para levantar discussões e se dedicar ao estudo da sexualidade humana no século XIX, até então, a criança era vista como destituída de sexualidade. Causou impacto e escandalizou todo a  sociedade vienense e mais tarde o mundo, quando afirmou que o universo infantil era dotado de uma sexualidade subjetiva, constituída de   fases desde o nascimento até a maturidade. Onde a neurose na vida adulta, tem suas causas durante o desenvolvimento da sexualidade infantil, quando esta é reprimida, causando constrangimento, vergonha, bloqueando o seu pleno desenvolvimento. Tais afirmações causaram espanto  e geraram dúvidas, porque penetraram em questões até então envoltas de moralismos e em tabus enraizadas de preconceitos.
            Para compreender as dimensões dessas descobertas é preciso saber que a sexualidade está inserida em todos os âmbitos da sociedade. Segundo Nunes (1987, p.8) vivemos em ambiente “sexualizado”, ou seja, é função inerente ao ser humano, sendo   formada a partir de modelos construídos historicamente, sofrendo influencia pelo contexto político, econômico e cultural, “como expressão plena da identidade humana” (BONFIM, 2009, p.5). Trata-se de um movimento dinâmico, vivo, ou seja, dialético,  onde as mudanças nesses contextos,  são refletidas de maneira direta no comportamento sexual.
            O pluralismo cultural permite diferentes interpretações sobre a sexualidade, os papéis destinados aos homens e mulheres e seus relacionamentos, são facilmente verificados ao  longo da história e ajudam a compreender as bases que sustentam a sexualidade hoje, que embora seja um assunto mais freqüente na sociedade contemporânea, contudo ainda envolta em “mecanismos de controle, repressão e muita ignorância” (MARX, 1987, p.5.). Pode-se constatar essa situação na educação sexual ministrada nas escolas, com base em livros didáticos, que ainda trazem o foco em métodos contraceptivos, DSTs, ou seja, ao nível médico-biologista, esquecendo que o ser humano não é formado por partes estanques, ele é complexo e faz parte de uma totalidade,  formado pela relação entre corpo, espírito, mente e possui uma afetividade, que rege suas ações com o mundo que o cerca e consigo mesmo.

2 Objetivo Geral

            Pautados nessas premissas, o presente estudo tem como objetivo central apontar a importância dos estudos de Freud para a compreensão da sexualidade humana. Buscando esclarecer a importância da compreensão das fases do desenvolvimento psicossexual da criança na formação docente.

3 Problema

            Tendo em vista a necessidade da educação sexual escolar, e partindo do pressuposto, que o conhecimento das Teorias de Freud, possam contribuir significativamente para que ao docente possa orientar as crianças de maneira natural e equilibrada, ajudando-as a superar cada uma dessas fases para que na idade adulta possam viver sua sexualidade de maneira tranqüila, qualitativa, saudável e prazerosa. O estudo tem como questionamento central: qual a importância do conhecimento das Teorias de Freud, em especial das fases do desenvolvimento psicossexual da criança para a educação sexual escolar?

4 Metodologia

            Este estudo é de caráter bibliográfico, com abordagem qualitativa. A fundamentação teórica pauta-se especialmente em Freud, Nunes, Bonfim, entre outros estudiosos da sexualidade humana, a partir de livros, artigos e pesquisas científicas.

5 As Teorias de Freud: um marco importante para o avanço dos estudos da sexualidade

            Bonfim (2009) aponta que Freud foi responsável por superar os estudos da sexualidade nas ciências biológicas, ultrapassando a visão do sexo meramente reprodutivo, e transportar a temática para as ciências humanas, onde a sexualidade está ligada a afetividade, como fonte de bem-estar, “o prazer do amor, da comunhão interpessoal, da relação íntima e profunda com o outro da celebração da vida.”  (BONFIM, 2009,p.139.)
            Para Freud (1982) o superego, parte constitutiva da psique (mente), tema do qual trataremos de forma  abrangente mais adiante, faz parte do inconsciente e é formada por influencias advindas principalmente de “fatores externos – os ideais – que pertencem ao sistema social onde o sujeito encontra-se inserido.” (CECARELLI, 2000, p.20.). Assim a necessidade de conhecer a história da sexualidade, que esta envolta em um sistema axiológico, éticos e morais, influenciado pelo passado, torna-se necessária para compreender os “ideais” que regem a sociedade  hoje .
            Na Grécia Antiga (rural) devido ao pensamento mítico, o qual faz referência Nunes (1987) e a grande dependência de sobrevivência advinda da agricultura, relacionou-se a prosperidade da colheita com a mulher e sua capacidade de gerar filhos  e de trazer a vida. Acredita-se que esse fato se deve ao fator do desconhecimento da paternidade, de como se dava a concepção e de a agricultura ser uma atividade destinada ás mulheres,  tem-se então a “matrilinearidade”. A mulher é sinônimo de fartura e prosperidade, onde em algumas situações, alguns rituais são feitos com a mulher nua, sem preconceito algum, objetos utilizados por prostitutas ou filhos bastardos fazem parte do ritual. Ou seja, há uma “influência decisiva da magia erótica na agricultura.” (NUNES, 1987, p. 138). O sexo não era visto como algo ruim, e sim ao contrário, era visto como possibilidade de um melhor viver, contudo, desligado do fator prazer, influenciado pelo modelo econômico agrário e a concepção de mundo mítica daquela civilização.
            Quando as civilizações começaram a surgir, a mentalidade da sociedade se altera também, o sexo passou a ser  mais conhecido e racionalizado e foi relacionado ao prazer. Contudo, houve uma separação entre os papéis da mulher e do homem. Estes passaram a ser responsáveis pela “produção e reprodução”, houve uma exacerbação das atividades masculinas nos exércitos, com o  culto ao corpo e  a busca hedonista pelo prazer , onde o homossexualismo masculino encontrou terreno fértil para acontecer, tornando-se uma prática “normal”.
            A sexualidade passa a ser vista como pecado, desonra, algo sujo, negando o erótico, a partir do momento que a Igreja, em uma tentativa de reconstruir o Mundo Antigo, com a queda do Império Romano e o avanço das conquistas bárbaras, que desestruturaram a organização política, econômica, social e principalmente, enfraqueceram a cultura e os valores éticos e morais, decidiram catequizar a civilização, de maneira etnocêntrica, impor suas “verdades” sobre a sexualidade. “O corpo é lugar da maldade demoníaca” ( Nunes, 1987, p. 25), reprimir desejos e o sexo pelo prazer são seus objetivos, somente a intenção de procriação era considerada correta. O medo relacionado ao  pecado torna-se uma arma para amedrontar e controlar o comportamento da sociedade, onde o ideal de vida digna era o celibato e a castidade. Contudo, entrar para um mosteiro também significava manter seus bens, propriedades e fortuna intactas, sem precisar dividi-las, mas sim somá-las as da Igreja.
            Este contexto é acentuado durante o desenvolvimento do feudalismo, segundo Valladares (2005, p.64), o “Cristianismo enxerta o pecado no sexo e insere a culpa naquilo que qualifica como carne”, isso supervaloriza a virgindade e torna o casamento uma “invenção medieval”, onde o sexo é permitido somente para procriação, tornando a sexualidade uma utopia. Cabe salientar que, além dessa situação, a energia sexual foi  direcionada para o trabalho, era necessário homens com energia para produzir e fazer sexo era uma perda de tempo e reduzia a produção, uma das conseqüências do capitalismo, a repressão sexual.
            Uma questão para refletir, se a sexualidade foi negada  aos jovens e adultos, como eram então, conduzidas e tratadas as manifestações da sexualidade infantil?  Eis também a era Vitoriana, onde não se falava de sexo, ele era repudiado principalmente para as mulheres, o silêncio imperava. Contudo, ao nos portarmos a Foucault (1999, p.36), observa-se que esse  aparente silêncio, trazia consigo um momento em que o discurso sobre sexo se acentuou, em forma de confissão, “o que é próprio das sociedades modernas não é terem condenado o sexo a permanecer na obscuridade, mas sim o terem-se devotado a falar dele sempre, valorizando-o como o segredo.” Atrelado ao segredo, as manifestações da sexualidade infantil eram tratadas ora com indiferença ,como perversão ou vício que deveriam ser combatidos a qualquer custo, a vigilância era a prioridade.
            Com a sacralização do capitalismo, a prioridade é produzir  a vida e as relações ficam em segundo plano, são desumanizadas, assim como o sexo, que passou da repressão total para a banalização total. Bauman (2001) refere-se à sociedade pós-moderna como fluida, os valores, as relações interpessoais e as instituições são frágeis, não permanecem e tornaram-se descartáveis. De maneira alguma, faz-se aqui uma apologia a virgindade ou ao casamento “até que a morte os separe”, mesmo sem amor ou ao amor romântico que perdura a vida inteira, mas trata-se de valorizar as relações, envolve-las em afetividade e ao mesmo tempo, vivenciá-las de maneira crítica, saber com autonomia avaliar aquilo que nos faz bem, sem continuar seguindo a maioria, que não se questiona e se deixa levar pela mídia e pelo consumo exacerbado.
            Somente uma consciência crítica sobre a sexualidade pode reconstruir essa realidade, para isso é necessário autoconhecimento, e conhecimento de sua própria sexualidade, para assim saber lidar com o desenvolvimento psicossexual das crianças. Constitui então a importância da teoria de Freud, contudo, não como algo a ser deixada nas prateleiras da biblioteca, mas como conhecimento vivo, propagado, a todos sejam pais, professores, irmãos, enfim, considerando a sexualidade inerente ao se humano, a todos sem exceção.
            Diante dessa trajetória pela história foi possível perceber como o meio social influencia os comportamentos e as experiências vividas, em diferentes momentos históricos, pela constante busca pelo prazer, não passam despercebidas pela psique, situações que causaram constrangimento e sofrimento, podem ficar gravadas no inconsciente e mais tarde passam a se manifestar de maneiras diversas. O que vem de certa forma, reafirmar a importância do conhecimento teorias de Freud especialmente das fases do desenvolvimento psicossexual da criança para que possamos melhor orientá-las.
            Para compreender esse contexto é preciso descrever os processos mentais que Freud (1923) denomina como: id, ego e superego.
Segundo Freud (1923), o id é regido pelo princípio do prazer, faz parte do inconsciente e está presente desde o nascimento, carrega consigo a herança genética dos desejos e impulsos, o que Freud (1982) denomina de “pulsões”.
O Ego procura sempre satisfazer os desejos do id, contudo é regido pelo “princípio da realidade”. Ele esta sempre articulando entre os desejos do id e a repressão do superego. Procura uma solução harmônica, que satisfaça o id e não ultrapasse as exigências do superego. Sempre racionalizando, se ceder aos impulsos do id, “torna-se imoral e destrutivo”; se acatar ao Superego será infeliz e eternamente insatisfeito; e ao se deparar com a realidade do mundo, sabe que ceder a ela, “será destruído por ela”, assim gera uma angústia existencial. 
O superego, é inconsciente,  ligado aos valores morais tratando de censurar os desejos do id, é o “órgão de repressão”. Constitui-se entre os seis e sete anos de idade e o início da puberdade ou adolescência formando a “nossa personalidade moral e social.” Cabe ressaltar a importância da educação  familiar e o ambiente social em que a criança se desenvolve pois eles serão a base para a formação do superego.
            Esta dinâmica ocorre desde o nascimento, assim Freud com sua Teoria Sexual Infantil, demonstra que nada ocorre por acaso na psique, estamos sempre, mesmo que inconsciente respondendo a articulação entre o id, ego e superego. Somos constituídos pelos desejos inatos e sua repressão, diante da realidade moral.
Nunes (2000), afirma que as contribuições de Freud são as mais adequadas para uma abordagem científica do desenvolvimento infantil, como saberes necessários para a percepção da importância e da complexidade da formação do sentido sexual da criança. Desta forma, Freud estabelece cinco fases que seriam universalmente vivenciadas, diferenciadas apenas pelos órgãos e objetos pelos quais a criança sente prazer.
Fase Oral (0 a 2 anos)
Nesta fase a criança tem a boca como fonte de prazer, ela encontra satisfação em todas as atividades orais: morder, sorrir, chorar, sugar. Freud (1982) apud Nunes (2000, p.) afirma que “estas atividades são primariamente sensoriais e que a satisfação encontrada nesta ação cristaliza-se a partir da “libido”, entendida como energia psíquica que perpassa toda a educação social da criança.”  Assim, a libido se concentra em torno da zona oral, ou seja, a necessidade e o prazer concentram-se em torno dos lábios, língua e posteriormente nos dentes.
A boca é a primeira área do corpo onde o bebê concentra sua libido e pode controlá-la. O seio da mãe é o primeiro objeto de ligação afetiva infantil. Ao crescer ele vai desenvolvendo outras áreas do corpo que também passarão a serem regiões de prazer e satisfação, contudo os prazeres orais poderão ser mantidos como: comer, chupar, morder, lamber ou beijar que são expressões físicas prazerosas que as pessoas continuam mantendo.
Vale lembrar que, muitas pessoas ainda focalizam o prazer na boca, ou seja, o prazer oral estende para a vida toda em alguns casos pode ser considerado patológico, como em pessoas que fumam, que mordem constantemente os lábios, chupam o dedo, já que são formas que encontram para aliviar  tensões que continuam centralizado no prazer oral.
Estas pessoas trazem consigo essa fixação pelo prazer oral por não terem atingido uma maturidade psicológica para superar essa fase e isto acontece por diversos motivos: sarcasmos dos adultos, arrancarem o alimento de sua boca entre outros que poderão impedir que o desenvolvimento da fase oral se complete. E este, se dá junto como final da amamentação, embora inconsciente, o ego começa a se estruturar a partir dessa superação.
A partir da dentição surge outra etapa chamada oral canibalística, em que a criança morde o seio que indica o surgimento da agressividade. É o momento em que o bebê evidencia frustração, angústia, dor, ansiedade e impotência, sendo estes, sensações e sentimentos necessários para o seu amadurecimento.
A fase oral se dá também através da sucção e da mordida. A fase da mordida é quando a criança morde, destrói e até mesmo tritura um objeto antes de incorporá-lo. Esta fase envolve duas características centrais, uma denominada oral receptiva, que ocorre quando a criança passa por privações, seja de carinho, de atenção, amamentação, alimento entre outros que contribui para que a criança se torne uma pessoa afetiva, generosa.
Outra característica é a fase denominada oral agressiva, quando a criança passa a ter sentimentos negativos, de raiva, destruição, ciúmes, insatisfação com o que tem e passa a desejar que os outros também não tenham as mesmas coisas, ainda que não queiram para si. Tais características podem acompanhar uma pessoa para a vida toda, é como se a pessoa quisesse se vingar das privações, insatisfações e frustrações que esse período lhe provocou.
Como nesta fase a libido se concentra na boca, a mordida para a criança é uma maneira prazerosa de interagir como mundo e descobrir partes deste mundo. Por essa razão é comum nas escolas de educação infantil, as crianças em torno de dois anos de idade morderem outras. Ao morder um amigo a criança vai descobrindo outras sensações de prazer ao observarem o choro do outro, o medo, o susto, entretanto esse prazer pode virar um hábito se não forem estabelecidos limites e orientados adequadamente.
É importante ressaltar que as famílias com algumas atitudes, inconscientemente, causam comportamentos agressivos na criança, como por exemplo, ao “brincarem de morder” como forma de carinho, as crianças ainda não possuem domínio da força da mandíbula e acabam por machucar outras, sem falar que ainda não aprenderam dominar seus impulsos, nem discernir  o certo do errado. Assim torna-se imprescindível estabelecer limites, para que a criança não sinta prazer em machucar outras, pois aos poucos ela se desenvolve e descobre outras formas de sentir prazer.
A vida e a sexualidade estão intrinsecamente ligadas ao prazer, e a forma como podemos sentir prazer pela vida é nos descobrirmos e utilizando os prazeres que já existem no nosso próprio corpo, além de outros. (Bonfim, 2010, Online).
Como aponta Nunes e Silva (2000, p.52), “reprimir a sexualidade da criança é reprimir seu corpo, que se constitui na base real do seu próprio ser, sua relação consigo mesma e sua personalidade. Porque afinal, não existe uma separação entre sexualidade infantil e sexualidade adulta. Existe sim uma ligação única e uma continuidade entre elas, ou seja, são inseparáveis e conseqüentes”.

Fase Anal (2 a 4 anos)
            Nesta fase, a criança retira parte da libido que antes se concentrava na boca e divide com a zona erógena da fase anal.
            Contudo, quando a pessoa não consegue completar a fazer anal, ela ainda permanece com a energia libidinal na zona oral, o que se denomina fixação. Isto ocorre quando alguma situação traumática ocorre durante a fase a qual a pessoa fica fixada. Esta fixação pode desenvolver diversos transtornos como anorexia e bulimia, comer em demasia, fumar, preferir sexo oral, quando adulta ser verbalmente agressiva, entres outras questões. Por essa razão é de suma importância orientar a criança, apoiá-la e dar o carinho necessário para que complete suas fases.
Na fase anal, a criança aprende a controlar os esfíncteres anais e a bexiga, ela sente prazer em produzir as fezes e a urina, a zona de maior satisfação é a região do ânus
            Este período é um momento de autodescoberta corporal. Ao controlar a micção e a evacuação a criança descobre uma nova fonte de prazer e gratificação, recebe muita atenção e elogios dos pais e das demais pessoas com quem convive, ao cumprir as exigências de higiene e padronizar suas necessidades fisiológicas.
            Segundo Freud, esta fase pode marcar o comportamento sexual da criança dependendo da forma como foi vivenciada. Pode ser frustrante para a criança as contradições mentais que ocorre, pois primeiramente ela recebe  elogios e gratificações por terem cumprido adequadamente suas necessidades fisiológicas e por outro lado a repugnação dos pais de que as fezes e a urina são sujos.
            A criança ainda não reconhece seus órgãos genitais, principalmente a menina, apenas o órgão genital masculino começa a ser descoberto.
Esta fase é marca também pela “fase das birras”, além de gostarem muito de brincarem de massinhas e alimentar-se de coisas cremosas.
            No final desta fase, a criança já amadurecida possui uma primeira noção do que é dela e do que é do outro.

Fase Fálica
            A Fase Fálica segundo Freud ocorre aproximadamente dos 3 aos 6 anos de idade e a palavra falo significa pênis. Essa fase é o período em que ocorre a descoberta pelos meninos e meninas dos órgãos sexuais, levando-os a reconhecer a existência das diferenças genitais, e é também o momento em que as crianças começam a manipular as suas genitálias, percebendo que o ato de se tocar nessa região, pode lhe proporcionar prazer.

Complexo de Édipo
            Segundo Freud (1923, p.19)  acontece quando o menino com referência  à fase oral, tem a  mãe como seu primeiro objeto sexual , justamente porque isso ocorre na fase fálica, onde há a descoberta do órgão genital e do prazer, que pode ser satisfeito com o sexo oposto, onde a figura mais próxima é a mãe . E o  afeto pelo pai,  que  se constitui em sua identificação com a figura paterna, se desenvolvem simultaneamente.  Ambos sentimentos caminham juntos, contudo, em determinado momento o pai torna-se um empecilho aos seus desejos sexuais que se acentuam pela mãe. “Sua identificação com o pai assume então uma coloração hostil e transforma-se num desejo de livrar-se dele, afim de ocupar o seu lugar junto à mãe”.
            Segundo Bonfim (Online), esta é uma fase complicada, porque o menino se vê dividido entre o sentimento pela mãe, mas ao mesmo tempo possui uma necessidade do carinho e afeto do pai, seu rival. Contudo, a criança acaba por perceber que a mãe possui outro “objeto de desejo”, que é o pai. Cabe então a ele, intermediar e fazer a ruptura para que a situação se esclareça e é normalmente onde ocorrem os primeiros conflitos entre pai e filho. Neste instante é importante a figura de um pai amoroso, presente, que torne a vida familiar harmoniosa. “É um momento de construção da identidade masculina do menino, na formação da sua personalidade.” Pode-se dizer que, o desejo pela  mãe surge do id  é reprimido pelo superego e regulado pelo ego. Sempre que esse processo acontecer em um ambiente bem equilibrado, com respeito, carinho e amor, entre, pais, filhos, enfim, entre a família, a ruptura pode ser feita por outra figura masculina, na ausência do pai ou mesmo pela mãe, quando os papéis são invertidos, “o pai ocupa um papel feminino e a mãe um papel masculino.” Porém quando a relação do casal não é harmoniosa, sem afeto, acontece o Complexo de Édipo disfuncional, o homem não se torna um referencial para a criança, e a mãe por carência afetiva, elege o filho como companheiro e o pai não faz a ruptura, porque não se importa com a relação. Isso pode fazer com que o menino tenha dificuldades de se relacionar com outras mulheres, ou  passe a procurar a figura da mãe em suas companheiras.

Complexo de Electra
            Ainda considerando Bonfim (Online), nesta fase  a menina tem para com sua mãe seus primeiros impulsos sexuais, contudo, como ela entende que não possui pênis e relaciona a culpa desse fato a mãe, despertando assim o sentimento de castração, direciona para o pai seu afeto, que passa a ser o segunda causa de seus  impulsos sexuais. Assim ela deseja o pai e vê na mãe sua maior rival. Se a família for equilibrada, com relações de afeto, a mãe fará a ruptura, o que causa conflitos entre ela e a filha, mas que com dialogo e amor acabam por se resolver, com a filha de identificando com a mãe. Contudo, quando a relação do casal é desequilibrada, a mãe não faz a ruptura, a menina continua desejando o pai, acreditando até estar casada com ele. Poderá relacionar-se com homens mais velhos e  até tornar-se homossexual na busca daquela mãe que não teve. Quando a mãe exerce o papel masculino dentro de uma relação saudável, não ocorrerá maiores problemas, ela mesmo faz a ruptura e a filha acaba se identificando com ela, podendo mais tarde buscar homens para seu relacionamento, que sejam parecidos com a pai.

Período de Latência
            No período de latência que ocorre após a fase fálica, e acontece aproximadamente dos 6 aos 10 anos de idade, os meninos e meninas apresentam uma mudança em suas relações afetiva que até no momento estavam voltadas para os pais, transferindo  as suas energias em relações voltadas ao social, esportivo e intelectual.
            A palavra latência significa estado do que se acha encoberto, incógnito, não manifesto, adormecido.
            Nesse período a criança transfere a sua energia para o fortalecimento do seu ego e para o desenvolvimento do superego, e o impulso sexual apresentado pelas crianças nas fases anteriores sofre uma diminuição, e a libido passa por um período de adormecimento.
            A criança passa por transformações, e começa a ter novos referenciais de identidade, ela foca as suas energias na retomadas atividades intelectuais e sociais, o que contribui para a diferenciação dos papéis sociais e sexuais.
            É possível que se fortaleça o vínculo de amizade entre crianças do mesmo sexo, formando os chamados clube da “Luluzinha e clube do “Bolinha”.
            No momento em que a criança passa a compreender os valores e as condições que fazem parte da construção histórica e advém de uma sociedade totalmente machista, e os papéis sexuais que nos foram impostos pela sociedade, iniciam-se as brincadeiras de casinha como “Papai” e “Mamãe”, o que leva a um reforço do papel sexual de cada um.
            Chauí (1984, p.9) afirma que a repressão sexual pode ser entendida como “um conjunto de interdições, permissões, valores, regras estabelecidas histórica e culturalmente para controlar o exercício da sexualidade”.
            Faz-se necessário que a criança passe por essa fase de forma completa, para que ela não carregue consigo nenhuma experiência negativa, o que lhe permitirá transferir as suas energias em atividades e relações que surgirão futuramente.

            Fase Genital
            A Fase Genital inicia-se aproximadamente por volta dos 10 anos de idade, trazendo consigo transformações e mudanças corporais, biológicas e afetivo-sociais.
            Antes de iniciarmos é importante destacarmos a diferença entre a puberdade e adolescência. A puberdade é a etapa que o individuo passa por mudanças fisiológicas e a adolescência é o período que o individuo começa o processo de amadurecimento, o que se inicia com a puberdade e prolonga-se até que se alcance a maturidade física e mental, o que acarreta em mudanças fisiológicas, psicológicas, afetivas, emocionais e sociais.
            Essa fase que ocorre com o início da puberdade e da adolescência, provoca mudanças no chamado objeto de desejo, que já não está mais voltado para o próprio corpo, mas para o corpo do outro.
            Nesse período ocorre um processo de maturidade psíquica importante para que a criança possa compreender e aceitar a sua sexualidade, e ocorre também uma maturação sexual  que acarreta em mudanças corporais significativa tanto para as meninas quanto para os meninos.
            Hebert (1994,18) considera que “a adolescência começa na biologia e termina na cultura,  naquela função onde o menino e menina atingirão razoável grau de independência psicológica em relação aos pais e à sociedade”.
Concordamos com as palavras de Nunes (2000, p.129), “só pode falar da sexualidade humana aqueles que sabem nutrir esperanças de amor, em suas plurívocas manifestações”.
            Torna-se essencial, que pais e educadores, com base em uma educação sexual emancipatória, que segundo Nunes (2000, p.17) “é entendida como a formação para a compreensão plena, integral, histórica, ética, estética e psicossocialmente significa e consciente das potencialidades sexuais humanas e sua vivência subjetiva e socialmente responsável e realizadora”, estejam preparados para enfrentar as fases que as crianças terão que passar, e as suas mudanças corporais, biológicas e afetivo sexuais, se posicionando de forma compreensiva, tranquila e não repressiva, levando em consideração que  a forma como será vivenciada cada fase refletirá no equilíbrio emocional e na vivencia de uma sexualidade  emancipatória na vida adulta.

6. Conclusão

            Com base nessas explanações conclui-se que, a partir de Freud a sexualidade passou a ser compreendida como parte integral do ser humano.  Deixou de ser reduzida ao ato sexual, meramente biológico,  para fazer parte da afetividade, da relação com o outro de um sistema racional correspondente a complexidade humana.
            Seus estudos tornaram-se imprescindíveis para esclarecer e compreender as fases do desenvolvimento psicossexual da criança, tendo em vista que a superação sem repressões das mesmas, irá propiciar na idade adulta uma vivência saudável, prazerosa e qualitativa de sua sexualidade, ou seja, uma sexualidade emancipatória.
            A referência de Freud passa a ser um estímulo no aprofundamento na temática da sexualidade humana em suas múltiplas manifestações culturais e subjetivas. Pois podemos observar no decorrer da história, como o meio social influenciou direta ou indiretamente o comportamento. Como também as experiências vividas em cada época e como situações de constrangimentos e sofrimentos ficaram gravadas no inconsciente, que futuramente se manifestaram de maneiras adversas. Desta forma reafirmamos a importância do conhecimento das teorias de Freud, especialmente as fases do desenvolvimento psicossexual da criança.

REFERÊNCIAS

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade liquida. Tradução, Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Ed. Jorge  Zahar, 2001.

BONFIM, Cláudia Ramos de Souza. Educação Sexual e Formação de Professores de Ciências Biológicas: contradições, limites e possibilidades. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação. Campinas, SP:  Unicamp, 2009.

_______. Artigos sobre as fases do desenvolvimento psicossexual. Online. Disponível na Internet in: http://educacaoesexualidadeprofclaudiabonfim.blogspot.com/

CECARELLI, Paulo Roberto.  Sexualidade e preconceito: in: Revista Latinoamericana  de Psicopatologia Fundamental. São Paulo: III, 3, 18-37, Setembro, 2000.

CHAUÍ, Marilena. Repressão sexual: essa nossa (des)conhecida. 6 ed. São Paulo: Brasiliense, 1984.
FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade: A vontade de saber. Rio de Janeiro, RJ: Edições Graal Ltda, 1999.
FREUD, Sigmund. Três Ensaios sobre as Teorias da Sexualidade. Lisboa: Ed. Livros do Brasil, 1982.

_____. O ego e o id e outros trabalhos. Vol. XIX. Rio de Janeiro, RJ: Ed. Imago, 1923.  
HERBERT, Martin. Convivendo com o adolescente. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991.
NUNES, César. Desvendando a Sexualidade. Campinas, SP: Papirus, 1987.
______ ; SILVA, E. A Educação Sexual da Criança. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 2000.
VALLADARES, Katia Krepsky. Sexualidade: professor que cala nem sempre consente. Rio de Janeiro, RJ: Quartet Editora & Comunicação Ltda, 2005.


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